Um projeto pioneiro no Brasil

No início da década de 1950, o governo federal criou uma comissão especial para descobrir em todo o território nacional os pontos de maior potencial hídrico. Concluído o estudo, o único projeto levado adiante foi o que envolveu o Arroio Duro, em Camaquã/RS.

O município, no entanto, apresenta realidade geográfica bem diferenciada, com serras para o lado Norte e várzeas ao Sul. Logo, o governo federal percebeu que, passando-se por esta região, o caminho seria bem mais curto para se chegar ao Porto de Rio Grande, a partir de Porto Alegre. Mas havia um problema - o Arroio Duro provocava intensas inundações a cada chuva mais forte.

Foi assim que, em 1952, o Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS), dando continuidade aos planos elaborados por uma comissão especial, começou a dragagem do leito do Arroio Duro. Inicialmente foi feita a drenagem de uma área de 19 mil hectares, denominada de Banhado do Colégio, que se juntava a outros dois banhados - o Jacaré e o Santa Rita. Sob toda essa água estavam terras férteis, que até então não podiam ser exploradas, em virtude das constantes cheias. 

 

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A drenagem do Arroio Duro(1953).
Em destaque, a antiga Ponte de Ferro

Definido o curso do Arroio Duro, foi possível a sua canalização, e em 1959 começaram as obras da barragem e do projeto de irrigação do Arroio Duro, composto de um conjunto de canais de irrigação e drenagem, e obras complementares que constituíram o perímetro de irrigação do Arroio Duro.

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Portanto todas as obras do complexo hidráulico de Camaquã daquele período, iniciadas em 1952, levaram 15 anos para serem finalizadas, incluindo-se a dragagem do leito do arroio, a drenagem do Banhado do Colégio e a construção da barragem, inaugurada em 28 de janeiro de 1967. O projeto original previa um perímetro de 45 mil hectares. No entanto, as obras de melhoramento realizadas ao longo dos anos, agregada à captação de água do Rio Camaquã, possibilitaram o aumento desse perímetro para 62 mil hectares.

OBRA TRANSFORMOU A ECONOMIA DE CAMAQUÃ E REGIÃO 

A construção da Barragem do Arroio Duro possibilitou o uso de 15 mil hectares de terras férteis, antes inexploradas porque ficavam integralmente alagadas. A água da barragem é usada para a irrigação de 17 mil hectares, e somando-se à captação de águas do rio Camaquã em dois pontos contabilizam mais 3 mil hectares, forma-se um potencial de irrigação de 20 mil hectares por safra.

A execução da obra foi uma. verdadeira epopeia na época. Os maquinários e equipamentos utilizados na grandiosa obra, que teve início em 1959 e foi concluída em 1966, era o que havia de mais moderno no país. O volume de recursos disponibilizados pela União e a quantidade de profissionais e operários envolvidos impulsionou diversos setores da cidade, resultando em um salto de qualidade para a economia do Município.


 

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A execução da obra foi uma verdadeira epopeia na época.

Os maquinários e equipamentos utilizados na grandiosa obra, que teve início em 1959 e foi concluída em 1966, era o que havia de mais moderno no país. 



Conforme o Diário Oficial do Brasil, de 08 de junho de 1955, um convênio no valor de 125 milhões de cruzeiros era celebrado entre a União e o Governo do Estado do RS para dar início à execução das obras.

Já o Diário Oficial do RS, de 21 de agosto de 1959, declarava de utilidade pública para fins de desapropriação uma área de terras situada na região do Arroio Duro, que seria alagada para a construção da barragem. Estima-se, conforme noticiado na imprensa da época, que o custo final foi de Cr$ 10 bilhões.

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Este foi primeiro projeto público de irrigação emancipado no país. As águas para a irrigação são armazenadas durante o inverno e distribuídas no período da safra. Em síntese todo este processo constitui o "Projeto de Irrigação do Arroio Duro", administrado pela Associação dos Usuários do Perímetro de Irrigação, a partir de 1990, com a extinção do DNOS, o primeira operador do sistema.



 

Clique aqui para acessar a revista eletrônica comemorativa dos 50 anos da Barragem do Arroio Duro

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